UMA RAÇA ELEITA E UM SACERDÓCIO REAL (cap. 2:9-10)
Pedro
passa a considerar outra coisa; crentes no Senhor Jesus Cristo também são
vistos como uma raça eleita e um sacerdócio real. Ele diz: “Mas vós sois uma raça escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa,
um povo em possessão, para anunciar as excelências daqu’Ele que vos chamou das
trevas para a Sua maravilhosa luz; que uma vez não eram um povo, mas agora o
povo de Deus; que não estavam gozando de misericórdia, mas agora encontraram
misericórdia” (v. 9-10 – JND). Isso também seria algo novo para aqueles que
se converteram do judaísmo ao Cristianismo. Sob o antigo pacto, Israel era a
raça escolhida por Deus (Êx 19:5; Dt 7:6; Am 3:2), mas agora com a vinda do
Cristianismo, aqueles que creem no Senhor Jesus Cristo são a “raça escolhida” de Deus, Sua “nação santa”
e Seu “povo
para uma possessão”. O que mais chama a atenção nessa nova companhia de pessoas
abençoadas é que ela é composta por judeus e gentios! (1 Co 12:13; Ef 2:11-22,
3:6) Quão estranho e diferente isso deve ter sido para esses santos judeus,
pois sob o antigo pacto eles deveriam manter-se separados dos gentios!
O plano de Deus era ter os
israelitas como Suas “testemunhas” na
Terra (Is 43:10, 21; Jr 13:11). Se os edificadores tivessem recebido a Cristo
como seu Messias, Ele teria derramado bênçãos milenares sobre a nação, conforme
estabelecido nos escritos dos profetas do Velho Testamento. Mas como eles O
rejeitaram, a nação foi temporariamente deixada de lado (Dn 9:26; Mq 5:1-3; Zc
11:10-14, etc.) e crentes no Senhor Jesus Cristo tomaram o lugar de Israel como
vaso de testemunho de Deus na Terra
(Rm 11:17). Como Sua raça escolhida, os Cristãos são agora Suas testemunhas (Jo
15:27), e como tais devem “anunciar as excelências [virtudes]
daqu’Ele”,
que os chamou “das trevas para a Sua maravilhosa
luz”.
Isso não significa que a
Igreja é o novo Israel, ou uma nova fase na história de Israel. Esta é uma
doutrina errônea da Teologia Reformada (Pacto). A Igreja e Israel não se
fundiram em uma só companhia, como aqueles teólogos ensinam. No propósito e nos
caminhos de Deus, a Igreja e Israel redimido são duas companhias completamente
diferentes de pessoas abençoadas. Suas porções de bênção e seus respectivos
chamados e destinos (terrenos e celestiais) e suas relações com Deus são
manifestamente diferentes. No presente tratamento de Deus em graça por meio do
evangelho, os crentes judeus no Senhor Jesus Cristo foram “tirados de entre o povo” de Israel (At 26:17 – JND) e fizeram parte da Igreja de Deus –
mas Israel ainda permanece como um companhia distinta de pessoas na Terra. Da
mesma forma, Deus, pelo evangelho, está visitando os gentios para “tomar de entre eles um povo para o Seu nome” (At 15:14 – JND); aqueles que creem também se tornaram parte da
Igreja – mas as nações gentias ainda permanecem intactas na Terra. Assim,
crentes judeus e gentios tem sido tirados de suas posições anteriores e não são
mais como tais no Cristianismo (Gl 3:28; Cl 3:11).
Em Romanos 11, Paulo afirma
que o colocar de lado de Israel não é nem completo
nem final (vs. 1-5). Ele não é
totalmente colocado de lado porque há “um resto [remanescente], segundo a eleição da graça” que está sendo salvo
hoje e, portanto, agora faz parte da Igreja de Deus. Paulo aponta para si mesmo
como sendo um exemplo. O colocar de lado da nação também não é final; Israel
não será rejeitado para sempre. Deus não foi frustrado em Seu propósito em
relação a eles; Ele retomará com eles num dia futuro, e serão abençoados de acordo
com os escritos de seus profetas. Quando a “plenitude dos gentios haja entrado” – que é a obra atual
de Deus entre os gentios, chamando crentes de entre eles pelo evangelho para
formar a Igreja (At 15:14) – “todo o
Israel” (isto é, aqueles que tem não só o sangue de Abraão, mas também a sua fé) “será salvo” (Rm
9:6-8, 11:25-27).
Esta nova companhia de
crentes não é apenas uma raça escolhida e uma nação santa, eles são sacerdotes reais.
Relacionando os versículos 5 e 9, vemos que os Cristãos têm um duplo sacerdócio.
É um “sacerdócio santo” em
referência à nossa liberdade de nos aproximarmos de Deus em louvor e oração, e
é um “sacerdócio real” em relação ao
nosso testemunho perante o mundo. Melquisedeque exibe esse duplo sacerdócio.
Ele estava apto a entrar na presença de Deus com ofertas como sacerdote santo e
ele também foi um rei que reinou em Jerusalém (Gn 14:18; Hb 7:1).
Algumas traduções modernas
traduzem a palavra “anuncieis”
como “proclameis”, o que implica em
uma pregação do evangelho, mas essa não é realmente a ideia na passagem. W. Kelly diz: “Não é, obviamente, pregar o
evangelho aos perdidos para que eles sejam salvos” (The Epistles of Peter, pág. 141). J. N.
Darby diz que tem mais a ver conosco reproduzindo em nosso andar e maneiras, as
“virtudes” daqu’Ele que nos chamou –
o que é nota na margem na versão King James. (The Synopsis of the Books of
the Bible, Loizeaux
edition, pág. 441). Nota: Pedro diz que o estado em que esses crentes judeus estavam
antes de crerem no evangelho era o das “trevas”.
Mesmo que o judaísmo fosse um sistema divinamente ordenado, nas mãos de homens
maus, ele havia se deteriorado em uma religião das trevas. A nação havia
rejeitado a Cristo, a Luz do mundo (Jo 1:7, 8:12, 9:5), e como resultado, eles
haviam se tornado governamentalmente obscurecidos (Sl 69:22-23). Com a chegada
do Cristianismo, a escuridão é passada, e a verdadeira luz está brilhando agora
(1 Jo 2:8).
O versículo 10 indica
que, como a nação de Israel está atualmente no estado de “Lo-Ami” (Os 1:9), esses crentes judeus que “pré-confiaram” em Cristo, antes que o remanescente da nação creia
em um dia vindouro (Ef 1:12 – JND), podem, em princípio, aplicar Oséias 2:23
(que vê os judeus crentes como “Meu
povo”) para si mesmos. Eles uma vez estiveram entre aqueles que “não era povo”, mas agora eles são “o povo de Deus”. É interessante que enquanto Pedro aplica a passagem em
Oséias aos judeus crentes de hoje,
Paulo aplica a mesma passagem aos gentios
crentes de hoje (Rm 11:24-26). Assim, os crentes judeus e gentios, foram
chamados de suas posições anteriores para fazer parte de uma nova companhia de
pessoas abençoadas, conhecida como a Igreja de Deus (At 15:14; 26:17). Tal é a
posição atual dos crentes judeus e gentios na Terra.
Os versículos 9-10
simplesmente ensinam que Deus tem um novo vaso de testemunho na Terra – a
Igreja. Ela não é uma extensão de Israel; é uma coisa totalmente nova. Essas
coisas são importantes para os convertidos judeus saberem, tanto naquela época
como hoje em dia.