PEDRAS
VIVAS E UM SACERDÓCIO SANTO (cap. 2:5-8)
Pedro
continua e fala de outra coisa. Os Cristãos são vistos hoje como pedras vivas e
sacerdotes santos na casa de Deus. Ele diz: “E,
chegando-vos para Ele – pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas
para com Deus eleita e preciosa. Vós
também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio
santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis [aceitáveis – JND] a Deus por Jesus Cristo” (v. 4-8). Deus ordenou que, embora Cristo tenha sido
rejeitado pelos homens, Ele seria o fundamento de uma nova companhia de crentes
que Deus tinha propósito de abençoar – a Igreja de Deus. Pedro não fala dessa
nova companhia como tal, mas sim como uma “casa
espiritual” que Cristo está construindo neste mundo. Como a “Pedra Viva”, Ele está construindo
sobre Si mesmo uma casa espiritual composta por crentes que são “pedras vivas” na estrutura. Isso,
novamente, seria algo completamente novo para a mente judaica.
Pedro se apressa em
acrescentar que, enquanto Cristo é rejeitado pelos homens, Ele é realmente “precioso” para Deus (v. 4). (Ele é “precioso” para os santos também v. 7.)
O fato de que a “pedra principal da
esquina” da estrutura é rejeitada pelos homens (v. 6), indica que tudo o
que tem a ver com esta casa não será popular neste mundo. Todos os que são
parte da estrutura serão rejeitados como Cristo é rejeitado. Consequentemente,
todo crente precisa estar preparado para sofrer reprovação e perseguição pelo
nome de Cristo (2 Tm 3:12). Isso é Cristianismo normal.
Podemos ver pelos versículos
4-5, que Pedro nunca esqueceu o que o Senhor lhe ensinou em Cesareia de Filipe
acerca da edificação da Sua Igreja (Mt 16:16-18). Naquela ocasião, o Senhor
falou de Si mesmo como a “Rocha”
(JND) sobre a qual este novo edifício seria devidamente edificado. Várias
outras passagens do Novo Testamento também confirmam que os crentes no Senhor
Jesus Cristo constituem a casa de Deus na presente dispensação (1 Co 3:9-17; Ef
2:20-22; 1 Tm 3:15; 2 Tm 2:20; Hb 3:6; 1 Pe 4:17). Isso significa que a casa de
Deus hoje não é um edifício material,
construído com tijolo e argamassa, como era o caso na velha economia
(dispensação), mas um edifício espiritual composto de crentes. As
pedras são “vivas” porque participam
da vida de Cristo, que é a “Pedra Viva”.
Além disso, os sacerdotes
nesta casa espiritual são crentes no Senhor Jesus Cristo – as mesmas pessoas
que as pedras vivas. Pedro os chama de “sacerdócio
santo”. Aprendemos com isso que todos
os Cristãos são “sacerdotes” nesta
dispensação da graça (Ap 1:6, 5:10). Como tal, temos acesso à presença de Deus
com uma liberdade que nenhum filho de Arão jamais teve na velha economia (Hb
10:19-22). Além disso, o tipo de sacrifício que oferecemos é completamente
diferente daquele que os sacerdotes do Velho Testamento ofereciam. Esses
sacerdotes apresentavam sacrifícios de animais e certos grãos e frutas,
enquanto que no Cristianismo os sacerdotes oferecem “sacrifícios espirituais” auxiliados “por Jesus Cristo”, nosso Sumo Sacerdote (Jo 4:23-24; Hb 10:21). O fato de que Ele é
um “Sumo” Sacerdote indica que Ele
tem uma casta de sacerdotes que atuam abaixo d’Ele.
Podemos
perguntar: “O que são exatamente esses sacrifícios espirituais que os crentes
oferecem hoje?” As epístolas do Novo Testamento indicam que há três tipos
diferentes de sacrifícios Cristãos:
- O sacrifício de “louvor”
(Hb 13:15).
- O sacrifício de nossos “recursos”
– nossas possessões (Hb 13:16 – JND).
- O sacrifício de nossos “corpos”
– significando a entrega de nossas vidas – nosso tempo e energia (Rm 12:1; At
15:26 – JND).
Vs. 6-7a – Pedro então cita
o profeta Isaías para mostrar que é intenção de Deus que Cristo seja o
fundamento da bênção para todo o Seu
povo – seja Israel, a Igreja de Deus ou os gentios no reino milenar. Ele diz: “Eis que ponho em Sião a principal
pedra angular, eleita e preciosa, E aquele que n’Ele crê, não será
envergonhado.” (cap. 2:6 – AIBB; Is 28:16).
Assim, Cristo é o Centro e o Fundamento
de tudo o que Deus está fazendo (e fará) neste mundo para bênção do homem. Todo
o que “n’Ela
crer não será envergonhado”. Eles provam, por meio da experiência de andarem em comunhão com
Ele, que “Ele é precioso”, verdadeiramente.
Vs. 7b-8 – Pedro então fala
daqueles que não crerão. Ele acrescenta: “mas, para os rebeldes [incrédulos],
a pedra que os edificadores reprovaram [rejeitaram] essa foi a principal da
esquina, E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam
na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados [desobedientes
para aquilo que também foram apontados
– JND]”. Assim, vemos que Cristo é visto como uma Pedra de duas maneiras. Para aqueles que “creem” Ele é a “Pedra
de esquina” de bênção, nesta nova obra da graça de Deus que está
acontecendo hoje. Mas para os “rebeldes”
[incrédulos], como os edificadores judeus que rejeitaram Cristo como o
Messias da nação, Ele é uma “Pedra
de tropeço e uma rocha de escândalo”. Aqueles que tropeçam em incredulidade
terão aquela Pedra caindo sobre eles em julgamento (Mt 21:44). Esta seria a
triste porção dos compatriotas desses judeus crentes a quem Pedro estava
escrevendo, se permanecessem na incredulidade.