PEREGRINOS
E FORASTEIROS (cap. 2:11-17)
Por último,
Pedro fala dos crentes no Senhor Jesus Cristo como peregrinos e forasteiros.
Ele diz: “Amados, peço-vos, como a peregrinos
e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem
contra a alma; Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo
em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da
visitação, pelas boas obras que em vós observem”.
Um “forasteiro” é um estrangeiro;
aquele que não é natural do lugar onde ele mora. Assim, o lar do Cristão não é aqui
na Terra. Estamos “no mundo”,
mas não somos “do mundo” (Jo
16:33, 17:14-16). Um “peregrino” é
alguém que está em uma jornada. No nosso caso, estamos passando por este mundo
pelo caminho da fé, retornando para casa, o céu. Por isso, um forasteiro é aquele
que não está em casa e um peregrino é
aquele que está a caminho de casa.
Pedro passa a dar três instruções curtas relativas à
conduta que é requerida de peregrinos e forasteiros.
A primeira é “vos abstenhais das concupiscências
carnais”.
Como Cristãos, devemos ter cuidado para não adotar a moral das pessoas perdidas
entre as quais vivemos. É imperativo que nos julguemos a este respeito, porque
essas concupiscências não só “combatem contra a alma” e impede a nossa
comunhão com Deus, mas elas também estragam o nosso testemunho perante o mundo.
Desnecessário dizer que ter nosso “viver honesto entre os gentios” é extremamente
importante. Se as concupiscências da carne se manifestarem na vida de um
crente, o mundo será rápido em tomá-las e usá-las para lançar vergonha sobre o
nome de Cristo e “falar mal” dos
Cristãos como “malfeitores”.
Devemos, portanto, viver de tal maneira que sejamos interiormente consistentes
com o que professamos ser exteriormente, de modo que o mundo não encontre em
nós nenhuma mácula com a qual nos acusar (Ec 9:8).
As vestes dos sacerdotes no
Velho Testamento tipificam essa consistência (Êx 28:39-43). Eles
deveriam estar vestidos com linho fino, que fala de justiça prática em seu
caminho e maneiras. Suas túnicas
(roupas externas que as pessoas veriam) deviam ser feitas de linho, mas seus calções (roupas de baixo que as pessoas não veriam) também
deveriam ser de linho.
Como mencionado, a melhor
maneira de responder às acusações e críticas do mundo é viver uma vida piedosa
em que não haja nada do que ser falado contra. Pedro diz que, se vivermos uma
vida de consistentes “boas obras” diante
dos homens, eles perceberão que sinceramente cuidamos do bem-estar daqueles do nosso
convívio. E, quando problemas entrarem em suas vidas por meio de uma “visitação” governamental de Deus, eles
podem se voltar para um crente em busca de ajuda e consolo, e ao fazê-lo, de
certo modo eles “glorificam a Deus”.
Isso não significa que eles necessariamente se voltarão para Cristo e serão
salvos (ainda que alguns o façam), mas voltando-se para o povo de Deus em busca
de respostas e ajuda, eles estão reconhecendo que o favor e a bênção de Deus
estão com os Cristãos, e isso traz glória a Deus. Veja Mt 5:16.
Vs. 13-17 – A segunda instrução para aqueles que
passam por este mundo como peregrinos e forasteiros é a submissão às
autoridades civis. Pedro diz: “Sujeitai-vos pois a toda a
ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; Quer aos
governadores como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor
dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis
a boca à ignorância dos homens loucos: Como livres, e não tendo a liberdade por
cobertura da malícia, mas como servos de Deus”. Esta exortação tem a ver com a responsabilidade do Cristão de
viver pacífica, honrosa e legalmente sob “as potestades que há” – os
governos civis (Rm 13:1). Os Cristãos não fazem parte deste mundo, mas isso não
significa que eles não tenham de se “sujeitar”
às ordenanças (leis e estatutos) estabelecidas pelos governos do mundo nas
terras em que vivem. Eles ainda vivem no mundo e, portanto, devem obedecer a “toda a ordenação humana”. Isso
refere-se a tudo, desde o pagamento de impostos até a obediência aos sinais de
limite de velocidade na estrada, etc.
Governos humanos foram
estabelecidos por Deus para controlar e conter o mal (Gn 9:5-6; Rm 13:1-7; 2 Ts
2:6). Pedro afirma isso no versículo 14. O fato de que alguns governantes
possam agir contra o ideal divino não significa que somos exonerados de nossa
responsabilidade de obedecer “as potestades que há” (Rm 13:1).
Se eles exigem obediência em algo que viola a consciência Cristã, então isso é
um assunto diferente. Quando esse é o caso, devemos obedecer a um poder ainda “mais alto” – o próprio Deus (Ec 5:8;
At 5:29). Todo governo humano tem alguma imperfeição, mas sem sua restrição, a
anarquia prevaleceria; portanto, devemos ser gratos por qualquer tipo de
governo que tenhamos. Os governos dos homens em vários países geralmente são de
ajuda para aqueles que desejam fazer o que é certo. Pedro afirma isso no
versículo 14b. A razão pela qual é importante que nos sujeitemos a todas as
ordenanças do homem é tirar qualquer motivo que o mundo possa ter de nos acusar
de fazer algo errado. Temos de ser, portanto, sujeitos lealmente ao Estado “por
amor do Senhor”, e devemos lembrar sempre que portamos o Seu nome diante do mundo.
Como os Cristãos estão
apenas passando por este mundo como peregrinos e forasteiros, não há exortação
no Novo Testamento que nos encoraje a tomar posição no governo ou a nos
envolver nos assuntos políticos deste mundo. Somos cidadãos de outro país lá no
alto (Fp 3:20), e isso nos torna peregrinos e forasteiros aqui embaixo. Portanto,
devemos deixar as lutas políticas do mundo para os homens do mundo (Is 45:9).
Vs. 15-16 – Como Cristãos,
inevitavelmente seremos criticados pelo mundo por meio do qual passamos, mas
como mencionado, se vivemos em sujeição às autoridades civis, podemos “tapar
a boca à ignorância dos homens loucos”. Como Daniel na Babilônia, o mundo não terá nada para nos
condenar justamente (Dn 6:4). Fomos tornados “livres” de todo o curso do mundo por meio de nossa redenção em
Cristo (Gl 1:4), mas não devemos usar nossa “liberdade” como uma “cobertura”
para a carne. “Livre” não significa
que estamos livres para pecar; a liberdade Cristã não é pretexto para os
Cristãos praticarem o mal. Pelo contrário, somos livres para usar nossas
energias para servirmos ao Senhor como “servos
de Deus”.
V. 17 – A tendência geral
dos judeus dispersos entre os gentios era se ressentir das autoridades pagãs
sobre eles. Em vista disso, Pedro introduz uma terceira instrução: “Honrai a todos. Amai aos irmãos.
Temei a Deus. Honrai ao rei” (ARF). Como crentes no Senhor Jesus Cristo, devemos viver honrosa
e pacificamente entre as pessoas perdidas com quem vivemos e trabalhamos (Rm
12:18; 1 Tm 2:1-2). Devemos ter cuidado para não “blasfemar
das dignidades” (2 Pe 2:10; Jd 8). Se Deus é temido, o rei será honrado, os
irmãos serão amados e os homens em geral serão respeitados. É assim que devemos
passar por este mundo como peregrinos e forasteiros. J. N. Darby disse: “Fale
pouco, sirva a todos e passe adiante. Essa é a verdadeira grandeza; trabalhar
despercebido e servir sem ser visto”. Resumindo nossa responsabilidade em
relação às potestades que há, devemos orar,
pagar e obedecer.
- Oramos por todos que estão em autoridade
(1 Tm 2:1-2).
- Pagamos nossos impostos àqueles em
autoridade (Rm 13:7).
- Obedecemos às ordenanças
estabelecidas por aqueles em autoridade (1 Pe 2:13).