O Tempo que
nos Resta
Vs. 3-4 – Em seus dias de não convertidos, esses judeus não
viveram de maneira diferente dos gentios, no que diz respeito à gratificação
dos desejos naturais da carne. Pedro diz: “Porque é bastante que no tempo
passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções,
concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;
E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução [corrupção – JND], blasfemando [falando mal
– JND] de vós”. Como israelitas, eles estavam em um relacionamento de
aliança exterior com Deus, o que exigia que vivessem uma vida santa (cap.
1:16). Mas eles desconsideraram aquele compromisso da aliança e viveram “no tempo passado” de acordo com a
ausência de santidade que caracterizava “os
gentios” – e isso desonrava a Deus (Rm 2:17-24). Assim, na religião dos
judeus, eles tinham estado cerimonialmente “perto”
de Deus, mas, infelizmente, estavam moralmente “longe” d’Ele (Ef 2:17; Mt 15:8).
Esses judeus procuravam
conquistar o favor de seus vizinhos gentios pagãos, em cujas terras moravam,
participando de seus costumes corruptos. Mas o chamado de Deus mudou tudo. Eles
foram salvos pela graça de Deus e começaram a marchar num ritmo diferente. Os
gentios entre os quais viviam não entendiam por que eles haviam se desviado tão
repentina e completamente do estilo de vida corrupto que haviam seguido. Não
tendo conhecimento de Deus, nem dos desejos santos da nova natureza, seus
velhos amigos deduziram que eles estavam agindo por algum motivo maligno e,
consequentemente, “falaram mal” (TB)
contra eles. Da mesma forma, todos os que se convertem a Cristo devem estar
preparados para tratamento semelhante vindo de seus companheiros não salvos.
Quando eles param com as coisas pecaminosas que outrora seguiram e começam a
seguir a Cristo, há considerável repercussão do mundo; isso levará a críticas e
ao falar mal do crente.
Aprendemos nos versículos
2-3 que cada Cristão tem duas partes
em sua vida na Terra. São elas:
- “O tempo passado” (v. 3).
- “O tempo que resta” (v. 2).
Todo crente verdadeiramente
convertido admitirá prontamente que a sua vida anterior à sua conversão não
passava de vontade própria, prazer próprio e busca da vaidade, e que tudo isso
é tempo perdido. Não podemos fazer nada sobre o tempo passado em nossa vida;
são “águas passadas” que não podemos recuperar. Mas podemos fazer algo sobre o
tempo que nos resta! Todo Cristão vivo está na linha divisória entre essas duas
partes de sua vida, com uma escolha sobre o que vai fazer com a parte de sua
vida que resta. Uma pergunta que podemos nos fazer é: “O que eu vou fazer com o
tempo que me resta?” Em 2 Coríntios 5:15, o apóstolo Paulo diz que há somente
duas maneiras nas quais os Cristãos podem viver suas vidas. Elas podem ser
vividas “para si” (para seus
próprios interesses), ou podem ser vividas “para
aqu’Ele” (para promover os interesses de Cristo). Ele também diz que o amor
de Cristo nos constrange a entregar o tempo que nos resta aos Seus interesses,
e assim causar um impacto neste mundo por Ele. Como ninguém sabe quanto tempo
tem para viver, ninguém sabe quanto será o tempo que lhe resta. Assim sendo,
precisamos orar a oração de Moisés: “Ensina-nos a contar os nossos dias,
de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Sl 90:12).