A ASPERSÃO
DO SANGUE DE JESUS CRISTO
O quarto elo dessa cadeia é a aplicação do
sangue de Cristo ao coração e à consciência do crente, pelo qual ele é
purificado da culpa de seus pecados e salvo (Hb 9:14).
O sangue de Cristo “derramado” (Lc 22:20) não é o mesmo
que o sangue de Cristo “aspergido” (Hb
10:22 – JND). Seu sangue sendo derramado é uma coisa literal que ocorreu na cruz do Calvário há quase 2.000 anos,
enquanto que Seu sangue sendo aspergido é uma expressão figurativa que se refere à fé do crente se apropriando da obra
consumada de Cristo, sendo assim purificado de seus pecados (1 Jo 1:7; Ap 1:5;
7:14). Assim, derramar é a provisão
que Deus fez para nós na obra de Cristo na cruz, e, ser aspergido é o resultado
de nossa apropriação daquela obra
pela fé, pela qual somos salvos. A diferença entre essas duas coisas é
ilustrada como figura no cordeiro pascal (Êx 12). O cordeiro foi morto e seu
sangue foi coletado em uma bacia, mas os israelitas tiveram de aspergi-lo nas
ombreiras de suas casas antes de serem protegidos do juízo que caiu sobre o
Egito. Assim, o sangue na bacia era a provisão
de Deus para o povo e a aspersão do sangue nas suas casas era a apropriação pessoal deles de tal obra.
Esses judeus crentes estavam familiarizados com a aspersão de sangue na
época da Páscoa no Egito; ela era celebrada pela nação todos os anos, sendo uma
de suas festas mais importantes. Mas
apropriar-se da obra de Cristo por meio da fé, pela qual uma pessoa é
purificada de seus pecados e livrada do juízo eterno, era uma coisa nova para
eles. (De fato, a morte de Cristo como o Cordeiro de Deus foi o cumprimento da
festa da Páscoa – 1 Co 5:7; 1 Pe 1:19.) Uma consciência purificada, resultante
da fé na obra consumada de Cristo, pela qual a alma do crente está em descanso
com Deus (Hb 9:14), também é algo que os santos do Velho Testamento não tinham.
Eles viviam com a incerteza a respeito de seus pecados, temendo que pudessem
ser levados a juízo a qualquer momento (Sl 25:7, etc.). Por isso, o que Pedro
está falando aqui é de algo muito mais abençoado do que aquilo que os santos
tiveram antes que a redenção fosse consumada por Cristo.
Essa cadeia de quatro elos
de ação divina que Pedro delineou na história
desses queridos santos é algo que é verdade para todos os Cristãos, independentemente se eram judeus ou gentios.
V. 2b – Tendo traçado esta progressão
nesses crentes, o que os conduziu à sua salvação, ele então deseja que “graça” e “paz” lhes sejam “multiplicadas”
para que andassem como Deus queria que andassem, e assim, glorificassem a
Cristo neste mundo.