ELEIÇÃO
Primeiramente, Pedro
fala desses crentes judeus como sendo “Eleitos segundo a presciência de
Deus Pai”.
Eleito significa ter sido escolhido. Por isso, eles foram escolhidos por Deus
para ter um relacionamento especial com Cristo em glória celestial, como parte
da nova companhia de pessoas abençoadas que Deus estava reunindo – a Igreja de
Deus. Essa escolha é algo que Deus fez “antes da fundação do mundo” (Ef 1:4).
Vemos disto que, se é para a bênção nos alcançar, ela deve começar com Deus,
que é a fonte de toda bênção.
A eleição divina não era
algo novo para esses judeus; eles faziam parte da nação eleita de Israel. Deus “escolheu” Israel para ter um especial relacionamento
de aliança Consigo mesmo, como Seu “povo
santo” (Dt 7:6-8). No entanto, o que Pedro estava falando aqui é um tipo
diferente de eleição. A eleição de Israel era algo coletivo e nacional,
enquanto esta eleição é pessoal e individual. Não era em conexão com seu pai
Abraão, como foi o caso de Israel, mas com “Deus
Pai”.
A eleição divina é
provavelmente a doutrina mais controversa do Novo Testamento. Embora seja
frequentemente um tópico de debate entre os Cristãos, Pedro e os outros
escritores do Novo Testamento não pedem desculpas por ensiná-la. Eles falam da
soberania de Deus – eleição por graça tal como ela é – uma realidade conhecida
e crida entre os apóstolos. Isso é algo pelo qual todo crente é grato, pois
onde estaríamos sem que Deus tivesse colocado Seu amor sobre nós e nos
escolhido para bênção?
A contenda reside no raciocínio de que
se Deus escolheu alguns na raça humana para abençoar, então ao desconsiderar os
não escolhidos, Ele teria, em resumo, escolhido e eles para uma eternidade no inferno.
Uma vez que isso parece depreciativo à própria
natureza e caráter de Deus, que ama todos os homens e deseja sua bênção (Jo
3:16; 1 Tm 2:4), isso é repudiado como errado. Uma explicação popular, mas
equivocada, que muitos evangélicos dão à graça eletiva de Deus, deriva de um
mal-entendido da “presciência” de
Deus. Eles dizem que na eternidade passada Deus olhou para frente através do
corredor do tempo e previu quem creria no evangelho e quem não creria e
escolheu aqueles que creriam. No entanto, esta ideia dá crédito indevido ao
homem pela sua salvação. Assume que em seu estado perdido o homem tem o poder
de escolher Cristo para a salvação de sua alma. Isto está claramente em colisão
com muitas Escrituras que ensinam que o homem caído é tão depravado que não tem
absolutamente nenhum poder em si mesmo para vir a Cristo para a salvação.
A verdade é que o homem em
seu estado decaído não consegue nem crer no evangelho; Deus tem de dar-lhe fé
para fazê-lo (Ef 2:8). As Escrituras ensinam que o homem em seu estado natural
está “morto” e, portanto, ele não
pode ouvir nem responder ao chamado de Deus pelo evangelho (Ef 2:5; Cl 2:13).
Isso nos ensina que é incapaz de “receber”
a verdade; ela é tolice para ele (1 Co 2:14 – JND). Também ensina que o homem
em seu estado natural é “sem força”
(Rm 5:6 – JND) e, portanto, não pode “vir”
a Cristo para salvação (Jo 6:44, 65). Deixado em si mesmo, o homem nunca
escolherá a Cristo, porque “a mente da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8:7 –
TB). Portanto, essa ideia equivocada sobre a eleição, nega a depravação total
do homem.
Os homens tentam
conciliar a graça soberana de Deus de eleição na
salvação, com a responsabilidade do homem de crer no evangelho, mas, ao
fazê-lo, muitas vezes pendem apenas para um lado em suas interpretações. A
verdade é que ambas as linhas da verdade correm paralelas através das
Escrituras, sem se fundirem. Como os dois trilhos de uma ferrovia: aos nossos
olhos eles parecem se juntar à distância, mas é claro que isso não ocorre. Uma
vez que os caminhos de Deus são “inescrutáveis” (Rm 11:33), não devemos tentar conciliar essas coisas em nossas mentes, mas devemos deixá-las como
são encontradas nas Escrituras. Deus queria que soubéssemos sobre elas, e é por
isso que são declaradas nas Escrituras, mas Ele não nos pediu para conciliá-las.
Ele sabia muito bem que os pecadores deixados por contra própria não
escolheriam a Cristo, então Se adiantou e nos marcou para bênção ao nos escolher.
Em algum momento de nossa história, cremos no evangelho e recebemos a bênção da
salvação. Como essas coisas juntamente funcionam, está além das nossas mentes
humanas.
A doutrina da eleição é a
verdade bíblica que mais humilha o homem porque o demonstra ser totalmente
desamparado e incapaz de fazer qualquer coisa por si mesmo. É também uma das
verdades que mais exalta a Deus nas Escrituras. Como Ele fez tudo por nós em
nossa salvação, Ele justamente recebe todo
o crédito e toda a glória! Mesmo que
não entendamos essas coisas completamente, a verdade da eleição divina deveria
produzir louvor de nossos corações.