A TRINDADE
No início, Pedro toca na principal característica do
Cristianismo – a Trindade. Ele menciona “o
Pai”, “o Espírito” e “Jesus Cristo” como três Pessoas distintas na Divindade que
estavam envolvidas em salvação deles (v. 2). Tendo sido iluminados pelo
evangelho, esses crentes já teriam conhecido e crido nesta grande verdade; não
obstante, Pedro aqui reforça isso como parte integrante da revelação Cristã da
verdade.
A Divindade consistindo de
três Pessoas distintas era algo novo em relação ao que um judeu conhecia de
Deus. A partir de escrituras como Deuteronômio 6:4, os judeus acreditavam que
Deus era “uma” Pessoa, conhecida por
eles como “Jeová”. Não é que a
verdade da Trindade contradiga o que Deus revelou de Si mesmo nos tempos do
Velho Testamento; é simplesmente o resultado de Deus colocando-Se na luz e
tendo agora dado uma revelação completa
de Si mesmo. Nos tempos do Velho Testamento, Deus habitava em “trevas
espessas” (1 Rs 8:12) e, portanto, os santos
naqueles dias tinham apenas uma revelação parcial d’Ele. Mas Ele agora Se
colocou “na luz” (1 Jo 1:7), e uma
vez que “vão
passando as trevas, e já a verdadeira luz alumia” (1 Jo 2:8), temos uma revelação superior de Deus como sendo: “o Pai”, “o Filho” e “o Espírito
Santo” (Mt 28:19). Assim, houve uma revelação progressiva da verdade nas
Escrituras sobre a natureza e unidade da Divindade.
Como mencionado, a revelação
da Trindade não contradiz nem nega o que era conhecido de Deus no judaísmo. Por
exemplo, a palavra “único” em
Deuteronômio 6:4 está no plural no texto hebraico. Ela literalmente significa “consistindo de muitas partes, mas
como uma”. É usado similarmente em Gênesis 11:6: “Eis
que o povo é um....”. Além disso, a palavra usual hebraica para “Deus” em todo o Velho Testamento é “Elohim”, que também é plural. Isso explica por que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme à nossa semelhança” (Gn 1:26; 3:22; 11:7). “Criador”,
em Eclesiastes 12:1, também é plural. Assim, as Escrituras do Velho Testamento admitem
que Deus seja mais do que uma Pessoa (Is 48:16, etc.), mas a verdade da
Trindade não foi revelada naqueles tempos. Não foi sabido que existem
diferentes Pessoas na Divindade (Jo 1:1) até que Cristo veio e “revelou” o Pai como sendo uma Pessoa
distinta de Si mesmo (Jo 1:18 – ARA).
Pedro então traça uma série
de eventos em que as três Pessoas da Divindade agiram na salvação desses santos judeus. Os eventos começam
com a graça de Deus elegendo na eternidade passada e termina com o coração e a
consciência do crente sendo purificados pela apropriação em fé do sangue de
Cristo. Essa progressão da ação divina é verdadeira na história de todo
Cristão, seja ele salvo de entre os gentios ou de entre os que estão no
judaísmo.