Vs. 5-7 – Pedro
expõe a loucura do raciocínio deles ao afirmar que todas as coisas não permaneceram
desde o princípio sem intervenções divinas de juízo. Ele aponta para dois desses
juízos catastróficos na história e nos diz que há um terceiro juízo que ultrapassará
em muito as proporções dos outros dois. Ele diz: “Eles
voluntariamente ignoram isto: que pela Palavra de Deus já desde a antiguidade existiram
os céus, e a Terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. Pelas quais
coisas pereceu o mundo de então,
coberto com as águas do dilúvio. Mas os céus e a Terra que agora existem pela mesma
Palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo,
e da perdição dos homens ímpios”.
O versículo
5 é uma referência a uma intervenção primitiva do juízo de Deus que deixou a Terra
no estado caótico “tendo sua subsistência fora da água
e na água” (JND).
Essa cena lacustre[1]
é descrita em Gênesis 1:2. Alguns pensam que este versículo 5 se refere ao dilúvio
nos dias de Noé, mas se fosse esse o caso, isso contradiria o relato de Gênesis
sobre o dilúvio. Gênesis 7:19-20 afirma que as águas do dilúvio cobriram completamente
a Terra; não havia pedaços de Terra “subsistindo
fora da água e na água”, como diz o versículo 5. Este versículo, portanto, deve
estar se referindo a algo diferente do dilúvio. Como Pedro fala disso antes de descrever
o dilúvio no versículo 6, ele deve estar falando de algo que aconteceu antes do
dilúvio. O que mais poderia ser senão Gênesis 1:2? Muitos que ensinam sobre a Bíblia
relacionam isso com Gênesis 1.
A descrição
da Terra no versículo 5 pode não se parecer com a descrição dada em Gênesis 1:2
quando comparada, mas realmente não há dificuldade em reconciliar as duas passagens
quando lembramos que a Bíblia é uma revelação progressiva da verdade. Isto é, o
que é dado no Velho Testamento é frequentemente expandido no Novo, onde mais detalhes
são dados. Este, acreditamos, é o caso de 2 Pedro 3:5. A partir da leitura de Gênesis
1:2, poderíamos pensar que as águas cobriram a Terra, mas olhando mais de perto
a passagem, vemos que ela não diz isso. Pode-se argumentar que não foi até o terceiro
dia que a terra emergiu das águas. Novamente, a Escritura não diz isso; diz que
a Terra ficou “seca” no terceiro dia.
(A palavra “terra” em Gênesis 1:9-10
está em itálico, indicando que não está no texto hebraico.) Colocando as duas passagens
juntas, nos damos conta de que a condição da Terra quando era “sem
forma e vazia”, era de um terreno vazio parcialmente submerso.
No versículo
6, Pedro fala de uma segunda intervenção
do juízo divino, que é inquestionavelmente o dilúvio nos dias de Noé. W. Kelly comentou:
“A passagem diante de nós [vs. 5-6] é aplicada por alguns apenas à constituição
primitiva da Terra, por outros, é aplicada ao dilúvio. Está bem claro que o apóstolo
olha de forma sucessiva para cada um” (The
Second Epistles of Peter, pág. 165). Uma vez que
a “Alta Crítica” nega a inspiração divina dos dez primeiros capítulos do Gênesis,
podemos ver por que esses chamados estudiosos diriam que nada mudou desde o início
da criação; Os dois juízos que Pedro cita nos versículos 5-6 são ambos registrados
nos primeiros capítulos de Gênesis, os quais eles não aceitam!
No versículo
7, Pedro aponta para uma terceira intervenção
do juízo que ainda está por vir. Ele nos diz que o instrumento que Deus usará neste
juízo vindouro não será a água como no dilúvio, mas o “fogo”. Além disso, este juízo tocará tudo em “os
céus e a Terra”, ao contrário do dilúvio que afetou apenas a Terra. Assim, tudo o
que colocamos nossos olhos nesta criação está “guardado
para o fogo”. Este
terceiro juízo não ocorrerá na segunda
vinda de Cristo; no entanto, a vinda de Cristo, que esses homens negam, é tão certa
quanto a própria Palavra de Deus. De fato, a vinda de Cristo é declarada em 23 dos
27 livros do Novo Testamento! – Gálatas, Filemom, 2 e 3 João são as exceções. Negar
que Cristo virá novamente, como fazem os zombadores, é uma prova clara da ofensiva
infidelidade que existe nestes últimos dias.
Vs. 8-9 – Quanto
ao tempo em que Cristo virá, Pedro explica que Deus não conta o tempo como os homens.
Ele diz: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa:
que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia”. (Veja também
Salmo 90:4.) Assim, enquanto os infiéis deste mundo “voluntariamente ignoram” (v. 5), que os santos não sejam “ignorantes” em relação a estas coisas (v.
8). No cálculo de Deus, o tempo da ausência de Cristo deste mundo tem sido de apenas
dois dias, o que não é tão longo! Pedro nos diz que a razão para a pequena demora
é que Deus é misericordioso! Está claro na Escritura que quando Cristo vier (Sua
Aparição), será para executar julgamento sobre os pecadores ímpios deste mundo (Jd
14-15) – pois Deus não permitirá que as coisas continuem em seu estado atual indefinidamente.
Ele diz: “O Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é Longânimo para
convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”. Assim, o lapso
de tempo em relação à vinda de Cristo é uma prova da longânime misericórdia de Deus,
e não Sua incapacidade de fazê-la acontecer. Se os ímpios pecadores deste mundo
estivessem em sã consciência e entendessem isso, estariam agradecendo a Deus que
a vinda de Cristo tem sido adiada.
[1] N. do T.: A palavra lacustre
provém do latim “lacus” e descreve
tudo aquilo que pertence a um lago.