Vs.
1-2 – Tendo, no capítulo 2, estabelecido o caráter do mal que entraria no testemunho
Cristão por meio de falso ensino, neste capítulo 3, Pedro menciona outra coisa que
marcaria a Cristandade nos últimos dias – incredulidade.
Com isto em vista, Pedro ocupa-se em preparar os santos para os tempos tenebrosos
à frente. Ele diz: “Amados, escrevo-vos agora
esta segunda carta em ambas as quais
desperto com exortação [por lembranças
– KJV] o vosso ânimo sincero [a vossa mente pura – JND]; Para que vos lembreis das palavras que primeiramente
foram ditas pelos santos profetas, e do mandamento do Senhor e Salvador, mediante
os vossos apóstolos”. Todo crente, por meio do novo nascimento, tem uma mente “pura”, mas Deus quer que sejamos exercitados
sobre manter nossa mente pura em um sentido prático. Este é realmente um desafio
considerável, e especialmente para aqueles que vivem nos últimos dias, quando a
corrupção se intensificará de todos os lados. Pedro indica aqui que isso é feito
com base no princípio da substituição. Devemos ter nossa mente cheia da verdade
que Deus nos deu – tanto nos escritos dos “santos
profetas” (o Velho Testamento) quanto no “mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos” (o Novo Testamento).
Quando nosso coração e mente estão cheios da Palavra de Deus, não há espaço para
a corrupção entrar. Isso significa que precisamos estar ocupados com o que é positivo
e animador, não com o que é negativo e corrompedor. E onde mais podemos ir para
isso, senão para as Sagradas Escrituras? Não há nada tão santificador para a alma
do crente do que ter sua mente saturada com a Palavra de Deus (Jo 17:17).
Pedro não nos
diz para procurarmos alguma nova revelação da verdade, mas para estarmos mais intimamente
familiarizados com a verdade que Deus deu em ambos os Testamentos. Devemos mantê-la
“na lembrança”, repetindo-a várias vezes,
porque tão facilmente nos esquecemos. Isso mostra que há valor na repetição. Estando
equipados com tal conhecimento, seremos capazes de discernir os falsos ensinos dos
homens. Assim, o caminho para enfrentar os perigos do dia é conhecendo e andando
na verdade; isso é nossa maior defesa contra os erros da Cristandade.
Vs. 3-4 – Pedro
então explica porque é importante ter a verdade sempre na lembrança – haveria um
ataque à verdade por aqueles que professam ser Cristãos! Pedro nos dá um exemplo:
“Sabendo
primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas
próprias concupiscências, E dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? porque desde
que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”. Assim, o falso
ensino na Cristandade produzirá uma geração de crentes meramente professos, que
negarão abertamente e zombarão da verdade – especialmente a verdade da vinda de
Cristo.
Parece difícil
acreditar que aqueles que professam ser Cristãos se oporiam às declarações claras
da Escritura sobre a segunda vinda de Cristo. Mas vivendo nos “últimos dias”, como estamos hoje, podemos
ver em retrospecto como isso aconteceu. Um grande setor da profissão Cristã (protestantismo
neo-ortodoxo, unitarismo, etc.) se entregou à chamada “Alta Crítica”, que levou
estudiosos a concluírem que muitas partes da Bíblia não são divinamente inspiradas
– tais como os primeiros dez capítulos de Gênesis, a história de Jonas, etc. Isso
enfraqueceu a confiança das massas da Cristandade quanto à confiabilidade da Escritura,
e dessa infidelidade saiu quem zomba da Palavra de Deus. Pedro diz que a razão pela
qual eles zombam do pensamento da vinda do Senhor é porque (dizem eles) “todas
as coisas permanecem como desde o princípio da criação”.