Vs. 5-11 – A
primeira coisa é ter as qualidades morais
necessárias para viver fielmente para o Senhor. Ele diz: “Mas, por isso mesmo, usando toda a diligência, em sua fé também tenha virtude,
em virtude conhecimento,
em conhecimento temperança [controle próprio], em temperança
perseverança, em perseverança piedade, em piedade amor fraternal;
e em amor fraternal caridade [amor divino]” (JND). Assim, há
sete qualidades morais que precisamos
ter em nossa vida. As versões King James e Almeida Revista e Corrigida diz: “Acrescentai à vossa fé...” colocando a preposição “à” [ou ao] antes de cada qualidade moral.
Mas isso é enganoso. Esses suplementos ao texto induzem a pensar que essas qualidades
morais devam ser acrescentadas uma após a outra em nossa vida em ordem consecutiva.
No entanto, o pensamento na passagem é que elas devem ser desenvolvidas juntas.
Da mesma forma, os ramos de uma árvore não crescem um após o outro, mas juntos como
um todo.
VIRTUDE [CORAGEM ESPIRITUAL] (v. 5)
Virtude refere-se a ter energia
espiritual e coragem para permanecer nas convicções de nossa fé. Em um dia em que
a tendência geral na profissão Cristã é ir à deriva junto com a corrente das coisas,
afastando-se de Deus e da verdade, é de extrema importância que tenhamos esse tipo
de convicção e energia para nos impulsionar contra a corrente.
CIÊNCIA [CONHECIMENTO] (v. 5)
Isso tem a ver com ser inteligente
na mente e vontade de Deus, em um sentido prático. É bem possível estar cheio de
energia e zelo por Deus, mas sem entender os princípios divinos e, consequentemente,
agir de maneira errada em certas situações. Assim, também precisamos ser “entendidos na ciência dos tempos” para saber
o que os santos “devem fazer” nestes
dias difíceis (1 Cr 12:32 – AIBB).
TEMPERANÇA [CONTROLE PRÓPRIO] (v. 6)
Naturalmente tendemos a ser criaturas
de extremos e, se não formos cuidadosos, nos tornaremos desequilibrados. Portanto,
é necessário permanecermos no controle de nossos apetites corporais e de todos os
outros propósitos em que possamos nos comprometer (1 Co 9:27).
PERSEVERANÇA [PACIÊNCIA] (v. 6)
Refere-se a resistir nas dificuldades
no caminho da fé (2 Tm 2:3). Podemos ter certeza de que haverá resistência do mundo
na forma de reprovação e perseguição. Ter essa qualidade moral nos capacitará a
lutar ao longo das dificuldades e do desânimo, e a perseverar no caminho (2 Ts 1:4).
Uma coisa é começar no caminho Cristão e outra é continuar (2 Tm 3:14). Não há nada
como perseguição para separar quem é verdadeiro e quem não é (Mc 4:17).
PIEDADE (v. 6)
A santidade pessoal não deve
ser negligenciada e, portanto, é ordenada aos santos aqui. A piedade não é obtida
pela passividade; ela vem por meio de exercícios sérios (1 Tm 4:7).
AMOR FRATERNAL (v. 7)
É amor afetuoso com emoção (sentimento) (phileo). Deve ser manifestado aos nossos
irmãos no Senhor, mas não ao mundo. Certamente, devemos amar as almas perdidas e
alcançá-las com o evangelho (Rm 13:8), mas é para ser como Deus as ama (Jo 3:16)
com amor divino (ágape). Se amarmos as
pessoas do mundo com amor phileo, podemos
ser atraídos para o mundo, pelo nosso afeto por eles.
AMOR DIVINO (v. 7)
Este é o amor ágape. É o amor que emana de uma disposição
estabelecida do coração – uma decisão de amar seu objeto, que não envolve emoção
ou mérito no objeto. Deus colocou Seu amor divino sobre nós quando não havia nada
em nós para amar! (Rm 5:8) Deus ama com ambos os tipos de amor (Jo 3:35, 5:20) e
também devemos amar dos dois modos. O amor divino tempera o amor fraterno. Isto
é necessário porque se amássemos nossos irmãos apenas com amor fraternal, poderíamos
estar inclinados a negligenciar neles certas falhas que precisam ser tratadas e
repreendidas.
V. 8 – Pedro
conclui dizendo: “Porque, se em vós houver e abundarem
estas coisas, não vos deixarão ociosos
nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo”. Nota: ele
não diz, “Se vós sabeis sobre essas coisas”,
mas sim, “se em vós houver e abundarem
estas coisas”. Isso mostra
que não é suficiente ter consciência da necessidade dessas qualidades morais em
nossa vida; elas precisam ser parte integrante de nosso ser e, como tais, ter formado
nosso caráter. Se essas coisas estão conosco apenas de uma maneira superficial,
podem ser facilmente colocadas de lado, e esse tem sido o caso com muitos. O resultado
dessas coisas sendo parte de nosso ser, é que seremos frutíferos no caminho de fé.
V. 9 – Pedro
então adverte: “Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se
esquecido da purificação dos seus antigos pecados”. Isto mostra que se as
características positivas da nova vida não estão sendo desenvolvidas em nós, ficaremos
cegos quanto ao nosso próprio estado e perderemos de vista o objetivo de Deus, de
ter Cristo manifestado em Seu reino de glória, no mundo vindouro. Isso pode resultar em um triste abandono do
caminho. Portanto, se não estamos indo adiante no caminho Cristão, certamente iremos
retroceder, porque nosso estado de alma nunca é estático.
V. 10 – Assim
sendo, Pedro diz: “Portanto,
irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo
isto, nunca jamais tropeçareis”. Mais uma vez,
ele coloca o ônus sobre o crente, em aplicar-se nessas coisas para que não tropece
no caminho. Podemos nos perguntar como devemos firmar mais a nossa “vocação
e eleição”, quando
elas são tão firmadas quanto poderiam ser. Pois é algo que é totalmente uma prerrogativa
de Deus; Ele nos escolheu e nos chamou – e não tivemos nada a ver com isso. No entanto,
Pedro não está falando do que é verdadeiro e seguro no coração de Deus, mas do que
deve se manifestar em nossa vida pessoal ao andarmos com o Senhor. Provamos e confirmamos
que somos Seus eleitos, manifestando as características morais das quais Pedro tem
falado, e por produzirmos frutos para Deus em nossa vida. Essas coisas são evidências
inconfundíveis de nosso chamado e eleição.
V. 11 – O grande
resultado é: “Porque assim vos será amplamente concedida
a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Assim, num dia vindouro, Deus compensará a devoção dos santos a
Cristo, e seu serviço para Seu nome, e isso será manifestado diante de um mundo
maravilhoso (2 Ts 1:10; Ef 1:12). Muitos têm pensado que este versículo está se
referindo à nossa entrada no céu quando o Senhor vier (o Arrebatamento). Isso significaria
que alguns dos santos teriam uma entrada maior do que outros na casa do Pai, devido
à sua fidelidade na Terra. No entanto, isso não é verdade. A responsabilidade dos
santos não é levada em conta no momento
da vinda do Senhor para nos levar para o céu (o Arrebatamento); todos nós teremos
então uma recepção igualmente grandiosa e feliz. A questão da fidelidade dos santos
(ou falta dela) será levada em conta mais tarde no tribunal de Cristo, e os resultados
serão manifestados diante do mundo na Aparição de Cristo e durante o Seu reino milenar
(Mt 24:45- 47; Lc 19:15-19). É a isto que Pedro está se referindo neste versículo.
Ele não está falando da nossa entrada no
céu, mas da nossa entrada no lado público do “reino eterno”, que será quando sairmos
do céu com Cristo na Sua Aparição (1 Ts 3:13, 4:14; 2 Ts 1:10, Jd 14, Ap 19:14,
etc.).
F. B. Hole disse:
“O reino eterno não é o céu. Ninguém ganha o céu como resultado de diligência ou
frutificação; nem alguns ganham uma entrada ampla e outros uma entrada estreita.
Não há entrada no céu senão por meio da obra de Cristo – uma obra perfeita e disponível
para todos os que creem – então todos os que entram, entram da mesma maneira e na
mesma base, sem distinção. O reino eterno será estabelecido quando Jesus vier novamente,
e em conexão com ele, as recompensas serão dadas como a parábola de Lucas 19:12-27
nos ensina. Haverá, consequentemente, grandes diferenças quanto aos lugares que
os crentes ocuparão no reino, e nossa entrada nele pode ser abundante ou o contrário.
Tudo dependerá de nossa diligência e fidelidade. A lembrança disso certamente nos
estimulará ao zelo e à devoção” (Epistles,
vol. 3, págs. 127-128).
Os resultados
positivos de termos essas coisas morais em nossa vida são:
- Seremos frutíferos em nossa vida Cristã (v. 8).
- Seremos preservados de tropeçar no caminho (v. 10).
- Teremos uma entrada ampla no reino (v. 11).