Vs. 18-22 – Uma mudança no uso
dos pronomes que ocorrem nos últimos versículos do capítulo indica que Pedro se
voltou para falar das vítimas desses falsos mestres. Ele vinha usando as palavras
“estes” e “eles” para se referir aos mestres, mas agora nesses versículos ele
fala de “aqueles” e “lhes” que
engolem seus maus ensinamentos. Ele diz: “Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências
da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam
em erro; Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção.
Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo [escravo]”. Isso mostra
que há certo tipo de pessoas que se inclinam para esses maus ensinamentos. Estas
são “almas inconstantes [não-estabelecidas
– JND]” (v. 14) que são caracterizadas pelas “concupiscências da carne” e “dissoluções [libertinagem – KJV]” (v.
18). Insatisfeitos com as coisas que eles perseguiram no mundo, se voltam para a
religião, e sendo de tal caráter como Pedro descreve, serão atraídos para o que
esses homens ensinam (2 Tm 4:3-4). Os falsos mestres encorajarão essas pobres almas
a se entregarem à “liberdade” a que eles
mesmos se entregam – que não é a verdadeira liberdade Cristã (Gl 5:1), mas à liberdade
para a carne (Gl 5:13). Ao fazê-lo, eles são levados para a mesma escravidão em
que estão esses falsos mestres (v. 19).
Vs. 20-21 –
Pedro continua nos mostrando o quanto essas pessoas são responsáveis. Elas entrarão
na profissão Cristã e, assim, momentaneamente “escaparão das corrupções do mundo”. Ao assumir essa posição, elas serão
iluminadas “pelo conhecimento do Senhor e Salvador
Jesus Cristo”. Isso não significa que elas serão salvas, pois o conhecimento de Cristo e a fé em Cristo são duas coisas diferentes:
o conhecimento traz iluminação (Hb 6:4), mas a fé traz salvação (Ef 2:8). Não estando
satisfeitos com este conhecimento de Cristo, e não tendo fé, eles se desviarão d’Ele
e apostatarão. Como resultado, eles se tornarão “envolvidos” nos erros desses falsos doutores e serão “vencidos”.
Pedro diz que
“o
último estado [se tornou] pior do que o primeiro”. Isso ocorre porque no seu “primeiro” estado – antes de se identificarem com o Cristianismo – eles
eram menos responsáveis. Mas tendo assumido um lugar no testemunho Cristão em que
há grandes privilégios e muita luz espiritual, eles se tornaram mais responsáveis,
pois quanto maior a luz que alguém recebeu, maior se torna sua responsabilidade
(Lc 12:47-48). Desviar-se da luz que alguém professou ter recebido apenas traz maior
juízo em seu “fim”. Pedro, portanto,
argumenta que seria “melhor lhes fora não conhecerem o caminho da
justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes
fora dado”.
V. 22 – Ele
aponta para dois animais impuros, de acordo com a ordem levítica, que ilustram a
verdadeira condição desses Cristãos meramente professos. Ser iluminado com o conhecimento
de Cristo não os mudou. Como um “cão”
que “voltou ao seu próprio vômito,
e a porca lavada ao espoja douro de lama”, essas pessoas provam que nada mudou nelas ao voltarem para seu antigo
modo de pecar (Pv 26:11). A lavagem de que Pedro fala aqui é algo superficial –
a limpeza da vida exterior – não é uma
limpeza interior da alma resultante do novo nascimento (Jo 3:5, 13:10; 1 Co 6:11)
e salvação (1 Jo 1:7; Ap 1:5). Assim, essas pessoas passarão por uma reforma externa,
mas não durará muito, porque não houve uma reforma interna de Deus em sua alma em
conversão (Lc 8:13).
Resumindo o
capítulo 2, Pedro previu a ascensão de falsos doutores dentro do testemunho Cristão
que ensinarão coisas pervertidas e, como resultado, trarão heresias destrutivas
pelas quais a massa de Cristãos professos, cairia em mundanismo, iniquidade e corrupção.
Vivendo em nossos dias, vemos que isso é exatamente o que aconteceu na Cristandade.