Cristo
Pregando pelo Espírito
Uma consideração mais detalhada desta passagem das Escrituras
revela muitas correlações entre os dias antediluvianos e os dias em que esses
crentes judeus estavam vivendo. Cristo não estava pessoalmente presente
naqueles dias, mas Ele “pregou” aos
homens daquele tempo “pelo
Espírito” (vs. 18-19) por meio de Noé. De forma
similar, nestes tempos Cristãos, Cristo não está mais presente na Terra, mas o
Espírito veio, e Cristo tem pregado aos homens pelo Espírito por meio de Seus
servos (Ef 2:17). Para entender corretamente isso, é necessário notar a maneira
na qual Pedro usa a expressão “o
Espírito de Cristo” (cap. 1:11). Cristo, pelo Espírito Santo, estava nos
profetas antigos testificando aos homens. Da mesma forma, com as pessoas que
viveram antes do dilúvio; naqueles dias, o Espírito de Cristo estava em Noé,
lutando com os homens por meio de sua pregação justa (Gn 6:3; 2 Pe 2:5).
A grande massa do povo nos
dias de Noé foi “rebelde” à
pregação. Igualmente, nos dias de
Pedro, a massa da nação judaica havia rejeitado a Cristo (At 3:13-16) e
resistiu ao testemunho do Espírito Santo, falado a eles por meio de homens como
Estevão (At 7:51). Quando o juízo caiu sobre aqueles antediluvianos e eles
morreram no dilúvio, seus “espíritos”
desencarnados foram lançados na “prisão”
no hades para aguardar o grande dia do julgamento (Ap 20:11-15). Assim também,
com os judeus incrédulos que rejeitaram a Cristo; quando eles morressem, suas
almas seriam “abatidas até o hades” (Mt 11:21-24 – JND). Isso mostra
a seriedade de desobedecer ao testemunho de Deus.
Além disso, os dias antes do
dilúvio eram o tempo da “longanimidade de Deus” quando Ele
esperou para salvar qualquer um que tivesse fé antes que o juízo caísse (Gn
7:4). Na época em que foi escrita esta epístola, Deus estava aguardando de
forma similar em longânime paciência por qualquer um dos judeus se voltasse
para Cristo antes que Seu juízo caísse sobre a nação. Isso ocorreu em 70 d.C.,
quando os exércitos romanos destruíram a cidade de Jerusalém e massacraram os
judeus (Mt 22:7). Assim como um pequeno remanescente da humanidade escapou do
juízo do dilúvio (apenas “oito almas”),
assim também um pequeno remanescente da nação foi poupado desse juízo fugindo
para Cristo em busca de refúgio (Hb 6:18-20). Os historiadores nos dizem que os
Cristãos judeus em Jerusalém e arredores levaram a sério a exortação do Senhor
em Lucas 21:20-24 e o chamado de Hebreus 13:13 e se mudaram para a área remota
de Pela além do rio Jordão, que os romanos deixaram intocada e assim, escaparam
do juízo.