Vs. 1-2 – Pedro
se apresenta como “Simão Pedro”. Simão
era seu nome antigo que tinha como homem na carne (Jo 1:41-42). Muitas vezes, quando
agia de acordo com sua velha natureza, ele era chamado de “Simão” (Mc 14:37; Lc 5:4-5, 22: 31-32; Jo 18:10, 21:2). É significativo
que, ao escrever sobre o fracasso do testemunho Cristão, como foi levado a fazer
aqui, Pedro usasse seu antigo nome. Isso mostra que estava consciente do fato de
que ele próprio falhou, e que, ao falar do fracasso coletivo da Igreja, ele não
estava de forma alguma fazendo isso depreciativamente.
Ele chama a
si mesmo de “servo e apóstolo de Jesus Cristo”. Era um apóstolo
escolhido pelo Senhor, mas foi por sua própria vontade que foi um servo. O Senhor
nunca pediu nem ordenou que alguém fosse Seu servo; isso é algo que o crente escolhe
voluntariamente quando percebe que foi “comprado por bom preço” (1 Co 6:20;
7:23). O processo de exercício que leva o crente a essa entrega, vem primeiro do
entendimento do que a obra de Cristo na cruz fez. Isso torna o crente “liberto
do Senhor” (1 Co
7:22a). Como tal, fomos libertados do juízo de nossos pecados, do pecado como um
mestre, de Satanás e do mundo. Mas quando o custo de nossa liberdade chega à nossa
alma, e percebemos que o Senhor pagou um preço tão alto para nos redimir, decidimos
não mais usar nossa liberdade para nossos próprios interesses, mas para a promoção
dos interesses d’Ele. Portanto, nos alistamos voluntariamente em Seu serviço como
“servo de Cristo” (1 Co 7:22b). Assim,
a obra do Senhor na cruz recebida pela fé, nos torna libertos, mas nós, por nossa
própria escolha, nos tornamos Seus servos. Pedro afirmando que era o servo de Cristo,
estava indicando que ele tinha passado por este exercício e se colocou à disposição
do Senhor para Seu serviço.
Ao declarar
que aqueles a quem estava escrevendo haviam “alcançado
fé igualmente preciosa”, ele quis dizer que esses
crentes haviam recebido de Deus a revelação Cristã da verdade – o Cristianismo.
Foi “dada aos santos” por meio dos apóstolos
e é possessão comum de todos os crentes (Jd 3). Pedro não estava falando da fé como
a energia interior da confiança da alma em Deus, que está em todas as pessoas que
creem, mas do Cristianismo, como distinto das religiões deste mundo. H. Smith disse:
“A 'fé preciosa' é a fé do Cristianismo, em contraste com o judaísmo, com o qual
esses crentes tinham estado conectados” (The
Epistles of Peter, pág. 44). J. N.
Darby disse: “A fidelidade do Deus de Israel conferiu ao Seu povo essa fé (isto
é, o Cristianismo), que era tão preciosa para eles. Fé aqui é a porção que temos
agora nas coisas que Deus dá, que no Cristianismo são reveladas como verdades” (Synopsis of the Books of the Bible, Loizeaux
edition, vol. 5, pág. 463).
Pedro diz que
essa fé preciosa chegou aos santos “pela
justiça do nosso Deus”. Isso se refere à fidelidade de Deus às Suas promessas
no Velho Testamento de trazer a salvação ao homem por meio de Cristo (Gn 49:18;
Sl 14:7, 67:2; Is 12:2-3, 25:9, 45:8, 52:7, 10, 56:1, etc.). Pedro acrescenta: “e
Salvador Jesus Cristo”, porque Ele é aqu’Ele que fez expiação para a glória de Deus e para
nossa bênção.
V. 2 – Pedro
desejava que “graça e paz” lhes fossem
“multiplicadas”. É encorajador saber
que num dia em que o mal está sendo multiplicado por todos os lados, Deus pode multiplicar
graça e paz para que Seus santos possam enfrentar esse mal. Isso mostra que não
importa quão escuro o dia fique, Deus pode vencer o desafio. Graça e paz para o
caminho Cristão chegam aos santos “pelo conhecimento de Deus, e de Jesus
nosso Senhor”. Alguns parecem pensar que precisamos ser versados nas doutrinas malignas
que existem na Cristandade para escaparmos desses erros. No entanto, não é sabendo
o que é falso que vai nos guardar de errar, mas sim, conhecendo, crendo e andando
na verdade. Investigar o mal, mesmo com boas intenções, é potencialmente perigoso;
poderíamos ser enganados de alguma forma e tropeçaríamos em nossa vida Cristã (compare
Dt 12:29-32).