Vs. 12-13 –
Pedro continua: “Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que
os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo
a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova Terra, em que habita a justiça”. Saber que
estas coisas estão vindo, não deveria produzir prostração em nós, mas uma ardente
expectativa por essas coisas. Sua lógica é simples e pungente; se vai haver uma
destruição de tudo o que é material, devemos estar vivendo para coisas espirituais
que são eternas, em vez de coisas presentes que vão passar.
“O Dia de Deus” é o Estado
Eterno, que segue o Milênio. Existem apenas três
lugares na Escritura onde o Estado Eterno é descrito – 1 Co 15:24-28; 2 Pe 3:12-13;
Ap 21:1-8. Além de ser chamado de Dia de Deus, também é chamado de “Dia da Eternidade” (v. 18) e “séculos dos séculos” (Gl 1:5 – TB; Ef 3:21;
Fp 4:20; 1 Tm 1:17, 2 Tm 4:18, Hb 1:8, 13:21; 1 Pe 4:11, 5:11; Ap 1:6, 18, 4:9-10,
5:13, 7:12, 10:6, 11:15, 15:7, 19:3, 20:10, 22:5). Este dia eterno é uma das três coisas futuras pelas quais devemos estar
“aguardando”:
- A “bem aventurada esperança”
– o Arrebatamento (Tt 2:13a).
- O “aparecimento da glória”
de Cristo (Tt 2:13b).
- O “dia de Deus” (2 Pe 3:12).
Pedro diz que não devemos
estar apenas “aguardando” por aquele
dia eterno com ardente expectativa, mas também devemos
estar “apressando a vinda do Dia de Deus”!(ARA)
O que isto significa? De que maneira podemos apressar a vinda daquele dia? Teólogos
Reformados (Pacto) nos dizem que isso significa que precisamos nos ocupar com o
trabalho evangelístico e converter o mundo a Deus, pois o Senhor não virá até que
isso seja feito. Ao sermos tão engajados, “aceleramos” (NIV) a Sua vinda e a realização
de Seus propósitos. Mas isso não é verdade; o tempo de Sua chegada está definido
no horário perfeito de Deus, não podemos apressá-la. Além disso, os versículos 12-13
não estão falando da promessa da vinda
do Senhor como esses teólogos imaginam, mas da “promessa” da vinda do Dia de Deus – o Estado Eterno. Não é que podemos
fazer sua hora chegar mais depressa do que Deus ordenou, mas se vivêssemos moral
e espiritualmente como se estivéssemos agora naquele dia, quanto à nossa experiência,
o traríamos para mais perto de nós pessoalmente.
A frase “novos céus e nova Terra” é emprestada de
Isaías 65:17, 66:23, mas aqui está se referindo ao reino milenar de Cristo. Isso
pode ser visto no fato de que o pecado e a morte são vistos naquelas passagens como
estando ainda presentes. Em Isaías, a expressão é usada figurativamente para descrever
a nova ordem moral da vida que se fará cumprir por meio da justiça reinando naquele
dia (Is 32:1, 61:11). O Senhor Se referiu a ela como “a regeneração” (Mt 19:28). Aqui, em 2 Pedro 3, o termo envolve não
apenas uma nova ordem moral (que deveria
ser exibida pelos Cristãos agora – Tt 3:5), mas também uma nova criação física dos céus e da Terra.
Pedro acrescenta:
“em que habita a justiça”. Hoje, no tempo
da ausência de Cristo, a justiça sofre
porque o pecado é abundante em toda parte. A graça reina por meio da justiça no
coração do crente (Rm 5:21), mas publicamente, em todos os aspectos da vida no mundo,
a justiça sofre. Mas quando Cristo aparecer e julgar este mundo em justiça (At 17:31),
Ele estabelecerá Seu reino milenar onde reinará
a justiça (Is 32:1). O pecado ainda existirá na criação, mas será subjugado. Se
e quando o pecado for manifestado, será julgado (Sl 101). Quando o Dia de Deus (o
Estado Eterno) for introduzido, a justiça habitará
em perfeito repouso, pois o pecado e a morte serão erradicados (1 Co 15:26; Ap 21:4).
Não haverá necessidade de impor justiça naquele dia porque tudo será ordenado de
acordo com a mente de Deus.
Vs. 14-15a –
Pedro então se dirige à nossa vida exterior diante do mundo em vista de compartilhar
o evangelho com os perdidos. Ele diz: “Pelo que, amados, aguardando estas coisas, procurai que d’Ele sejais achados
imaculados e irrepreensíveis em paz. E tende por salvação a longanimidade de nosso
Senhor”. Vemos desta
declaração que é importante que nossa vida esteja corretamente ordenada diante do
mundo, se esperamos que eles recebam o que dizemos a respeito de sermos salvos.
A obra do evangelho sem uma vida que apoie o que dizemos perderá poder e sinceridade.
Devemos, portanto, primeiro viver em “paz”
com nosso próximo (sem comprometer os princípios Cristãos) e “sermos
achados imaculados e irrepreensíveis” diante deles. Quando esse é o caso, podemos usar nosso tempo proveitosamente
ao compartilharmos o evangelho, e isso pode resultar na “salvação” deles. Assim, a demora da vinda do Senhor e da vinda do Dia
de Deus, se corretamente entendidas, não torna os crentes descuidados, mas os motiva
para a vida piedosa (v. 11), a expectativa sincera (vs. 12-13) e o serviço diligente
(vs. 14-15a).