O fato de que
Pedro chama esta epístola de “segunda”
(cap. 3:1), mostra que foi escrita aos mesmos a quem fora escrita sua primeira epístola:
Cristãos convertidos do judaísmo espalhados pela Ásia Menor (Turquia moderna). J.
N. Darby confirma isto, afirmando: “A segunda epístola se declara ser a segunda
dirigida às mesmas pessoas: de modo que uma e outra foram destinadas aos judeus
da Ásia Menor” (Synopsis
of the Books of the Bible, Loizeaux edition, vol. 5, pág. 423). Pedro não indica quanto tempo decorreu entre as duas epístolas;
os estudiosos geralmente concordam que foi um período relativamente curto de tempo.
De acordo com
todas as segundas epístolas em nossas Bíblias, a segunda epístola de Pedro contempla
a ruína e fracasso do testemunho Cristão (Cristandade). Enquanto a primeira epístola
é silente quanto à ascensão do mal na profissão Cristã, esta segunda epístola soa
um aviso sobre isso em termos inequívocos. Pedro anuncia que haveria uma iminente
grande apostasia (um abandono da verdade Cristã) nos últimos dias do testemunho
Cristão. O apóstolo Paulo nos diz que ela atingirá seu auge depois que a Igreja for chamada para o céu,
quando “o homem do pecado” (o anticristo)
será revelado (2 Ts 2:3). Os verdadeiros crentes não apostatarão, mas podem ser
arrastados pela correnteza da apostasia e abandonar certos princípios e práticas
que outrora sustentavam (cap. 3:17 – “pelo engano dos homens abomináveis,
sejais juntamente arrebatados”). A epístola não apenas anuncia o declínio vindouro, mas também nos
dá instruções importantes sobre como podemos ser preservados da influência da apostasia.
Esta epístola, portanto, é muito aplicável aos santos em nossos dias, quando as
corrupções de que Pedro fala, entraram na profissão Cristã. A epístola encoraja
a fidelidade em um dia de declínio.
Se na primeira
epístola Pedro é visto como um mestre
e um pastor instruindo e exortando o rebanho
de Deus, nesta segunda epístola, ele é visto como um profeta anunciando o julgamento da Cristandade e do mundo na Aparição
de Cristo. Na primeira epístola, Pedro guia
as ovelhas; aqui na segunda, ele as guarda.