Vs. 15b-16 –
Ao encerrar a epístola, Pedro aproveita a oportunidade para endossar as epístolas
de Paulo e encorajar os santos a recebê-las. Ele diz: “Como
também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada;
Falando disto, como em todas as suas
epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos [ignorantes – JND] e inconstantes [mal estabelecidos
– JND] torcem e igualmente as outras Escrituras,
para sua própria perdição”. É afável ver Pedro chamando carinhosamente Paulo de “amado”. Depois da repreensão pública de
Paulo a Pedro em Antioquia (Gl 2:11-21), Pedro poderia muito bem nutrir sentimentos
de ressentimento em relação a ele, mas isso mostra que esse não era o caso. Pedro
então diz aos santos que as coisas que ele lhes ensinou foram “também” ensinadas por Paulo em “suas epístolas”. Isso mostra que o ministério
deles é complementar. Assim, as coisas que Pedro havia escrito em suas epístolas
não eram uma opinião particular sua.
Pedro também
faz referência a Paulo ter “escrito”
uma epístola aos santos judeus. A maioria, se não todos, dos que ensinam sobre a
Bíblia de forma confiável dizem que isso é uma alusão à epístola aos Hebreus. Pode
ser perguntado se já que Paulo é o escritor dessa epístola, por que ele não se apresentou
em sua forma normal como um apóstolo, como faz em suas outras epístolas? Há pelo
menos três razões pelas quais não o fez: Primeiro,
porque o apostolado de Paulo era exclusivamente para o seu trabalho entre os gentios
(Rm 11:13, 15:16; Gl 2:8). Ele não tinha autoridade para se dirigir a seus compatriotas
como apóstolo. Isso não significa que Paulo não pudesse se dirigir a seus irmãos
judeus; é apenas que ele não poderia fazê-lo com autoridade apostólica; portanto,
seu apostolado não é mencionado. Uma segunda
razão pela qual ele não mencionou seu apostolado foi porque o encargo do Espírito
de Deus em Hebreus é apresentar a Cristo como o Grande “Apóstolo” de nossa confissão (Hb 3:1). Paulo mencionar seu apostolado
poderia tê-los distraído a esse respeito. Ele queria que seus leitores entendessem
que a mensagem na epístola vinha de Alguém que era um Apóstolo muito maior do que
ele próprio (caps. 1:2, 12:24-25). Paulo, portanto, alegremente permanece em segundo
plano, a fim de trazer Cristo para o primeiro plano de uma forma mais notória. Uma
terceira razão é que, se a epístola, que
foi escrita aos judeus crentes, caísse nas mãos de judeus incrédulos, e esses soubessem
que seu autor era Paulo, eles nunca a teriam recebido. Eles teriam descartado tudo
imediatamente porque o viam como um renegado do judaísmo.
Pedro reconhece
que para uma pessoa vinda de um contexto judaico, a doutrina de Paulo (especialmente
seu ensinamento dispensacionalista) seria “difícil
de entender” – não no sentido de abraçar
intelectualmente o que ensinava, mas de aceitar que ela vinha verdadeiramente de
Deus. A verdade a respeito de Deus colocar Israel temporariamente de lado por causa
da rejeição do Messias por parte dos judeus (Mi 5:1-3, etc.), e, um
consequente alcance para com os gentios por meio do evangelho, para levá-los a uma
bênção maior na Igreja, do que jamais fora oferecido a Israel (At 15:14, etc.) era
algo difícil de eles acreditarem. Pedro também reconhece que houve um ataque presente
à doutrina de Paulo por homens que eram “indoutos
[ignorantes – JND] e inconstantes [mal estabelecidos – JND]”.
Esses ataques só se intensificaram em nossos dias.
Ao falar sobre
isso, Pedro coloca as epístolas de Paulo entre “as outras Escrituras”. Isso significa que ele as viu como sendo divinamente
inspiradas, e as endossou como tais. Sendo Escritura, os santos devem receber a
doutrina de Paulo da mesma maneira que os Bereanos – “de bom grado” (At 17:10-12).