O GOVERNO
DE DEUS
Embora o viver por fé seja enfatizado
em todas as epístolas hebraico-Cristãs, nas epístolas de Pedro o tema das
relações governamentais de Deus, que agem nos bastidores de nossas vidas é
exclusivo. Isso é referido em cada capítulo (caps. 1:17; 2:12; 3:10-12; 4:17;
5:5-6). Na primeira epístola de Pedro, o governo de Deus é visto operando em
conexão com os crentes, enquanto na segunda epístola, é contra os incrédulos.
Um texto chave a esse respeito é 1 Pedro 4:17. A primeira parte do versículo
refere-se àqueles na “casa de Deus” e a última parte do
versículo refere-se àqueles que estão fora
da casa que “são desobedientes ao evangelho de
Deus”.
O governo de Deus é um termo
que, os que ensinam sobre a Bíblia, usam para indicar os tratamentos providenciais
de Deus para com os homens – positiva ou negativamente – como uma consequência
do modo como vivem. Gálatas 6:7-8 dá o princípio geral sobre o qual o governo
de Deus atua: “Não erreis: Deus não Se deixa
escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que
semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no
Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”. Isso mostra que há consequências para nossas ações, embora
possamos não senti-las imediatamente. Os dois lados do governo de Deus são:
q
Juízo governamental.
q
Bênção governamental.
Visto que o Senhor tem “todo o poder” no “céu e na Terra” (Mt 28:18), Ele pode fazer com que coisas boas,
bem como coisas ruins (calamidades), ocorram na vida dos homens de acordo com
suas obras. Ele pode “cercar” o
caminho do transgressor com juízos governamentais na forma de dificuldades,
problemas, tristezas, doenças, etc., com o objetivo de deter seu proceder
rebelde e produzir arrependimento (Os 2:6-7). Deus também pode usar Seu poder
para ordenar circunstâncias felizes e abençoadas na vida dos homens que fazem o
que é correto, e assim eles irão “herdar
bênção” (JND) em suas vidas (praticamente) e “ver
os dias bons” (1 Pe 3:9-12a).
É importante entender que os
tratamentos governamentais de Deus para com os homens pertencem apenas ao seu
tempo na Terra; não têm nada a ver com o seu destino eterno.
Além disso, se trouxermos sobre nós o juízo governamental de Deus por conta de
nossas ações pecaminosas, existe algo como o perdão governamental de Deus, para
se, e quando, nos arrependermos (Mt 18:26-27; Lc 7:48; Jo 5:14; Tg 5:15; Sl
103:10-12). Isso mostra que Deus tem um coração perdoador (Sl 130:3-4). O
perdão governamental tem a ver com Deus tirando Seu juízo de sobre nós, qualquer
que seja a maneira ou medida que tenhamos o experimentado. Então, novamente, o
Senhor pode escolher nos deixar continuar sob os efeitos de Seu juízo
governamental (parcial ou totalmente), mesmo quando houver verdadeiro
arrependimento, porque Ele conhece as tendências de nosso coração, e isso nos
mantém dependentes d’Ele e, em último caso, para evitar que saiamos dos trilhos
novamente. Assim, a comunhão será restaurada, mas os efeitos de nossas ações podem continuar a serem sentidos (2 Sm 12:10).
Muitos Cristãos têm uma
visão desequilibrada do assunto do governo de Deus. Eles o veem apenas pelo
lado negativo julgador. Ao se referirem a alguém que se rebelou contra Deus,
dirão: “Fulano está sob o governo de Deus”. Isso é verdade, mas, na realidade, todos os Cristãos estão sob o governo do
Pai – seja para o bem ou para o mal.