Desde os primórdios do Cristianismo,
quando as coisas nos caminhos de Deus estavam em transição
(dispensacionalmente) do judaísmo ao Cristianismo, havia uma necessidade de que
os judeus crentes em Cristo fossem instruídos neste novo início de Deus. É por
isso que as epístolas hebraico-Cristãs (Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro) foram
escritas e incluídas no cânon das Escrituras.
Pouco antes de ir para a cruz, o Senhor
disse a Pedro: “e tu, quando estiveres
restaurado, confirma [estabelece] teus irmãos” (Lc 22:32 – JND). Então,
depois que o Senhor ressuscitou de entre os mortos, Ele formalmente comissionou
Pedro para este trabalho, declarando: “Alimenta
Meus cordeiros” e “Pastoreia as Minhas
ovelhas” (Jo 21:15-17 – JND). Assim, o Grande Pastor nomeou Pedro como sub-pastor
para cuidar de Seu rebanho e ministrar às suas necessidades no tempo de Sua
ausência – especialmente em coisas práticas envolvidas na mudança do judaísmo
para o Cristianismo. No livro de Atos e em suas duas epístolas inspiradas,
vemos Pedro cumprindo este ministério.
Aprendemos de Gálatas 2:7-8 que o “apostolado” de Pedro foi para “a circuncisão”. Isto é, o foco de seu
ministério era principalmente para com seus irmãos judeus que haviam se tornado
crentes no Senhor Jesus Cristo. De acordo com isso, Pedro lhes escreve suas
epístolas. (1 Pe 1:18 e 2:12 confirmam isso.) O apóstolo Paulo chama esses
crentes de “um remanescente, segundo a
eleição da graça” (Rm 11:5 – JND) e “o
Israel de Deus” (Gl 6:16).
Várias coisas ligadas ao judaísmo tinham
formado as consciências daqueles criados naquela religião dada por Deus, que
não eram fáceis de serem abandonadas, embora tivessem se tornado Cristãos.
Esses escrúpulos se apegaram a esses queridos santos de Deus (e
compreensivelmente) e levaram a impedi-los que andassem na liberdade do
Cristianismo. Essas coisas poderiam ser chamadas de “faixas”, que no caso de Lázaro tinham de ser retiradas antes que
ele pudesse andar corretamente (Jo 11:44). Portanto, havia uma necessidade real
da verdade nas epístolas hebraico-Cristãs nos primórdios do Cristianismo,
quando a maioria dos santos da Igreja era de origem judaica. Os judeus têm
vindo continuamente a Cristo para salvação desde aqueles primeiros dias até
hoje, e essas epístolas lhes têm sido uma ajuda real.
No final desta epístola, Pedro declarou:
“escrevi abreviadamente, exortando e
testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes”.
Assim, ele deixou claro que seu propósito ao escrever a esses santos judeus era
instruí-los e exortá-los a respeito da conduta adequada à nova posição em que
se encontravam como Cristãos.